Instituto Cultural do Vinho

O Mundo do Vinho está crescendo e se desenvolvendo a passos largos em todas as direções culturais e sócio econômicas. O vinho é arte, cultura, lazer e saúde. É o aconchego de um amor ou uma amizade. É a troca de informações e experiências. É nesse Mundo que o Instituto Cultural do Vinho trabalha as mais variadas histórias e formas de apreciar o Vinho através de palestras, cursos e consultorias, na busca da multiplicação de consumidores e apreciadores desta nobre arte. Arte que deve ser levada de forma simples e despojada para que seja ainda mais difundida e aceita por todos. O Vinho não é apenas status ou glamour, o Vinho é alquimia, conferido pelos deuses e transformado pelo trabalho dos homens.

Não se conhece o vinho sem conhecer a História e Cultura de cada país. Muitos necessitam de uma pequena ajuda para aprender mais, basta dedicação e trabalho.

Objetivos

O Instituto Cultural do Vinho tem por objetivo espalhar a cultura da Uva do Vinho para todos que desejam abrir seus conhecimentos para uma bebida que nos faz pensar e entender a História, a Geografia, a Política, a Economia e a Sociedade de cada país produtor. O Vinho deve ser tratado com alimento e satisfação, de forma simples e democrática, onde existem vinhos bons e ruins, caros e baratos, para todos os bolsos e gostos, precisamos tornar o vinho acessível.

Além dos aspectos culturais, o ICVinho tem por objetivo planejar ações que proporcionem um maior consumo de vinho em todo o território nacional através de treinamentos de equipes comerciais, seleção de vinhos e o cuidado com adegas particulares, tornando acessível toda e qualquer forma de conhecimento.

Mulheres Pioneiras

Written by  Where Curitiba

Cinco mulheres. Cinco pioneiras. Essas memoráveis damas foram escolhidas pela revista Where Curitiba para representar todas as paranaenses (nascidas aqui, ou de coração) que marcam sua história no Estado, batalham, dedicam-se e destacam-se naquilo que fazem.


Conheça um pouco da vida de:

Rosilete dos Santos, literalmente lutadora - três vezes campeã mundial de boxe;
Sandra Zottis, uma das primeiras mulheres formadas em Viticultura e Enologia no país;
Flora Madalosso, sócia-fundadora do Madalosso, o maior restaurante das Américas;
Regina Casillo, fundadora do Solar do Rosário, complexo cultural ícone do Centro Histórico de Curitiba;
Maria Alice Nascimento Souza, primeira mulher a dirigir nacionalmente a Polícia Rodoviária Federal.

Com vocês, a competência que está por trás do salto alto e maquiagem:

 

ROSILETE DOS SANTOS

Essa paranaense de Castro, radicada em São José dos Pinhais, literalmente é uma lutadora: foi três vezes campeã mundial de boxe na categoria supermosca (até 52 kg) e é a 6ª colocada no ranking mundial do Boxrec (boxrec.com).
Rosilete é a primeira mulher paranaense a lutar boxe. Começou por influência do ex-pugilista, treinador e marido, Macaris do Livramento. No boxe amador estreou em 2001 e fez 16 lutas (14 vitórias, um empate e uma derrota). No profissional estreou em 2003 e fez 34 lutas (29 vitórias e cinco derrotas). Sua maior conquista ocorreu em 2011, quando unificou os títulos da Associação Internacional de Boxe Feminino (Wiba) e da Comissão Mundial de Pugilismo.
Essa guerreira também compartilha de uma história que não foi fácil: até os 18 anos trabalhou na roça. Depois, passou a trabalhar como empregada doméstica. O interesse pelo boxe surgiu quando assistiu a uma luta de Macaris, em Castro. Começou a trabalhar com ele, treinando durante parte do dia e ajudando na montagem dos ringues. Até que seu parceiro de boxe também virou parceiro na vida, tornando-se seu marido.
Em 2006 ela decidiu engravidar. Mas quando sua filha completou 10 meses, Rosilete já tinha convite para lutar na Alemanha. Após 12 anos como boxeadora profissional, a campeã tomou a difícil decisão de encerrar sua carreira. “Muitos não acreditavam, pois achavam que eu ainda poderia ganhar muitas lutas”, diz a atleta. Cinco motivos influenciaram na decisão da campeã. “Primeiro é que eu não tinha muito apoio. O patrocínio que conseguia era para os meus treinos, para pagar os profissionais que me ajudavam, as inscrições e passagens para as lutas, mas não conseguia financeiramente viver bem ou lucrar com isso. Depois tem a questão da idade pesando, lutar com 38 anos não é mais como lutar aos 25. O terceiro ponto era as minhas constantes lesões, pois os treinos exigiam demais. O quarto motivo foi a minha filha. Eu queria dar uma atenção, ajudar nos deveres de casa e cuidar dela de uma maneira que eu não estava conseguindo, e por fim, o peso. Tinha chegado num limite tal que não conseguia mais perder e ficar bem magrinha para lutar”, diz Rosilete.
Então, no dia 28 de junho de 2013 fez sua despedida dos ringues, e dois dias depois de abandonar a carreira, ela não precisou entregar seus cinturões: foi contemplada como campeã emérita da WIBA (Associação Mundial de Boxe Feminino) e da WPC (Comissão Mundial de Pugilismo). Rosilete é a segunda mulher no mundo a ter esse título: junto com ela, somente a filha do grandioso boxeador Muhammad Ali.
Sempre vaidosa, ela nunca deixou “o salto” de lado, fazendo questão de lutar com uniforme bem feminino, luvas de oncinha e batom nos lábios.
Embora afastada dos campeonatos, a sua luta diária continua, ainda que de outra forma: depois de muito insistir, conseguiu aprovar recentemente no Ministério do Esporte, em Brasília, junto com Macaris, o Centro de Excelência de Boxe, a ser inaugurado na capital paranaense, onde ela e o esposo pretendem atender 200 crianças carentes da grande Curitiba. Uma guerreira nata.

 

SANDRA ZOTTIS

Quando Sandra Zottis começou a estudar o mundo dos vinhos, a bebida ainda não era moda. Aliás, eram poucos os cursos existentes no país. Esta enóloga, natural de Bento Gonçalves, fez em 1991 um curso Técnico de Viticultura e Enologia em terras gaúchas. Depois fez o curso superior de Tecnologia em Viticultura e Enologia. Dessa segunda turma, com apenas cinco mulheres, apenas três se formaram (e 20 homens).
Sempre aliando estudo com prática, Sandra reforçou seus conhecimentos em diversas viagens para o exterior em regiões referências no cultivo das uvas como Canelones, no Uruguai; Maule e Isla de Maipo no Chile; Mendoza na Argentina; Bordeaux, Bourgogne, Champagne, Alsace, Beaujolais, Provence e Rhône na França; e Toscana, Piemonte, Veneto, Lazio e Friulli na Itália. Quando veio para Curitiba, em 2000 e com apenas 23 anos, a convite de uma importadora, começou definitivamente a fazer sua carreira aqui. Aliás, provavelmente é a primeira mulher no Paraná a divulgar e a falar sobre essa cultura do vinho.
Atualmente trabalha na Lojas Vino! com funções de treinamento, palestras e degustações para clientes da loja e restaurantes; é professora de Enogastronomia do Centro Europeu para os Cursos de Chef de Cuisine e Hotelaria; professora de Sommelier na mesma escola; professora do curso de pós-graduação em Enogastronomia da Univali –SC; professora de Enogastronomia para o Curso de Gastronomia da Faculdade Univel de Cascavel – PR; Sócia Fundadora do Instituto Cultural do Vinho e Integrante da Associação Brasileira de Enologia.
Seu conhecimento é tamanho, que foi jurada internacional no Concurso La Mujer Elige em Mendoza, na Argentina, por duas vezes, representando a Associação Brasileira de Enologia. Com apenas 37 anos Sandra já carrega uma bagagem e grande experiência de um mundo que, até pouco tempo atrás, era dominado quase que exclusivamente por homens. Aliás, para inserir a mulher cada vez mais nessa arte de degustação, é uma das fundadoras da Confraria Feminina do Vinho de Curitiba – grupo este que surgiu após Sandra ministrar um curso só para mulheres. E ainda assim, com toda divulgação, ainda é um universo “masculino”, pois são raras as professoras mulheres em cursos de sommelier.
Essa paixão toda pela bebida vem de família. “Sou descendente de italianos, na casa do meu avô sempre tinha vinhos” conta a enóloga, que na infância já experimentava a bebida misturada com água e açúcar. Aos oito anos visitou a primeira vinícola (para tomar suco de uva), e ficou encantada com os parreirais.
Seu marido não é da área “mas adora vinho”, diz a professora. Que não gosta de citar marcas, e destaca os vinhos europeus. “Os vinhos franceses são excelentes, mas os portugueses tem uma ótima relação custo-benefício”. E a máxima do equilíbrio entre cor, aroma e paladar, vale para ela também.
Comprovando que conhecimento nunca é demais, a expert atualmente faz curso de pós-graduação em Viticultura e Enologia na Faculdades Tuiuti.

 

FLORA MADALOSSO

Para construir um verdadeiro império absolutamente “do nada”, no mínimo a pessoa tem que ter audácia. Pois essa qualidade não faltou à Flora Madalosso Bertolli, afinal, que mulher, ao receber um presidente em seu estabelecimento, falaria: “trate de aumentar o salário dos professores, pois muitos deles ganham menos que minhas lavadoras de panelas”. Sim, por aí já podemos perceber a coragem e sinceridade de Flora Madalosso, que deu uma “chamada” no então presidente Lula. Essa senhora de 73 anos ajudou a construir o maior restaurante da América Latina, capaz de atender muito bem quatro mil pessoas simultaneamente. A média de público em um único domingo é de três mil visitantes!
Para tanto, dona Flora comanda 70 pessoas na cozinha, que se revezam em dois turnos, mas ela trabalha manhã, tarde e noite. Dorme geralmente a uma da manhã e acorda às 7h30. “Antigamente 8h da manhã já estava no restaurante, hoje durmo um pouco mais”, diz a empresária de sucesso.
E põem sucesso nisso: parece que tudo que toca dá certo. Ela tem também dois postos de gasolina, e um deles, em 2012, ganhou o título de posto mais bonito do Brasil.
Mas a vida não foi fácil para essa mulher, segunda filha de uma família de seis irmãos, que já trabalhou inclusive de doméstica. Nascida em Caxias do Sul, veio ainda pequena para o Paraná: seus pais buscavam uma condição de vida melhor. Seu pai plantou um pequeno parreiral onde é o atual restaurante, mas o negócio não deu certo - o clima não era bom para o cultivo de uvas. Por insistência de Ademar Bertolli, marido de Flora, em 1963 o pai dela vendeu um terreno e ajudou o casal a comprar um pequeno restaurante (que ficava no atual Velho Madalosso). “Tinha 24 lugares e umas cinco panelas”, conta Flora, que desde o início assumiu a cozinha. E assim, Flora, seu pai e seu marido tornaram-se sócios daquilo que depois de uns sete anos de trabalho começou a dar frutos e trazer um certo conforto.
Hoje o complexo comandado pela família, localizado em Santa Felicidade, é composto do tradicional “Velho Madalosso”, que funciona no sistema a la carte, e o “Novo Madalosso”, inaugurado em 1970 com 4.645 lugares numa área de 7.671 m2 . Estes números lhe garantiram a inclusão no Guiness Book, o livro dos Records, com o título de “Maior das Américas”. Possui estacionamento gratuito para 900 veículos. No complexo há ainda a Vila Madalosso: loja de lembranças e conveniências que faz a alegria dos turistas.
Essa guerreira, com quatro filhos e sete netos, que já recebeu seis presidentes - inclusive a Dilma - inúmeros artistas, viu o governador Beto Richa crescer e é madrinha do atual prefeito Gustavo Fruet, não perde a simplicidade e humildade. Escreveu até um livro “Entre quatro panelas” encontrado na loja de lembranças, onde a venda é revertida para instituições carentes. O livro foi escrito por insistência da família, e ajudou Flora a superar a perda do marido, 11 anos atrás.
Todo domingo à tarde Flora recebe seus familiares em sua casa (em média 40 pessoas) para conversar, tomar café e estreitar os laços. Com 50 anos de Madalosso, esta incansável mulher não pensa em parar de trabalhar. “O restaurante é a minha vida”. O segredo do sucesso? “Honestidade e trabalho - sempre”.

 

REGINA CASILLO

Ao se deparar com Regina Casillo, a primeira impressão é de uma mulher elegante e extremamente culta. Na medida em que a conversa se desenrola, mais se confirmam essas qualidades.
Essa advogada carioca, fluente em inglês e francês, apaixonada pelo Paraná e pela cultura local, fez mais pelo Estado do que muitos que nasceram aqui. Na década de 70 veio para Curitiba e fundou na Sociedade Garibaldi um curso de atualização para mulheres, com o objetivo de ser um centro permanente de cultura.
Em 1989 surgiu a oportunidade de junto com seu marido, João Casillo, comprar o belo casarão histórico, que hoje abriga o Solar do Rosário – espaço de arte e cultura ícone no Largo da Ordem.
Reunindo galeria de arte, livraria, editora, cursos e oficinas, o Solar do Rosário leva a cultura para os mais diversos públicos. Um ambiente extremamente gostoso de freqüentar: lembra aquele clima de universidade antiga, com mestres e alunos na busca do conhecimento. No Solar, em uma sala pode ter uma aula de piano, em outra alguém pode estar fazendo um curso de mosaico, e não se admire se encontrar no café um professor e seu aluno batendo papo em francês, em uma verdadeira aula prática. Regina conta que o interesse pela arte vem de família: aos nove anos ganhou sua primeira tela a óleo. Sua formação acadêmica é na área de Direito - foi advogada e professora de Direito Romano. Mas quando veio do Rio para Curitiba, rapidamente se interessou pela arte local. “A arte paranaense é muito rica”, diz Regina, que através do Solar já publicou 32 livros - a maioria de artistas locais. Obviamente que tamanha paixão, preservação e propagação da cultura paranaense lhe renderam o título, para ela e para o marido, de Cidadã Honorária da cidade.
E entre um curso de História da Arte aqui e ali, visita a museus e instituições ligadas à arte no mundo, e diversas viagens, Regina é uma verdadeira reserva cultural, que se orgulha do rumo que as três filhas tomaram. “Uma é advogada para felicidade do pai, a outra é jornalista, que para minha alegria me ajuda a dirigir o Solar. E temos uma filha médica, para cuidar de nós dois na velhice”, brinca.
Com cinco netos e 68 anos, vai todos os dias para o Solar do Rosário: enquanto a filha Lúcia dirige a parte dos cursos e projetos, Regina é a responsável pela galeria de arte. É como diz o poeta Ferreira Gullar: “a arte existe porque a vida não basta.” Regina sabe muito bem disso.

 

MARIA ALICE NASCIMENTO DE SOUZA

Nascida em Foz do Iguaçu-PR, Maria Alice Nascimento Souza ingressou na Polícia Rodoviária Federal na década de 80 no primeiro concurso que contemplou vagas para mulheres. Pioneirismo é a sua marca na carreira policial. Além de fazer parte do primeiro grupo de mulheres na Polícia Rodoviária Federal (PRF), ela foi a primeira batedora motociclista, primeira superintendente regional e primeira Diretora-geral, cargo que ocupa atualmente.
Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Paraná, Maria Alice ocupou cargos de destaque em diversas unidades da federação. A experiência de trabalho nos estados de Mato Grosso do Sul, Alagoas, Roraima e Paraná contribuiu para que tivesse a vivência da diversidade brasileira tão necessária aos gestores de órgãos federais. As atuações nas áreas operacional e administrativa, na Comissão de Ética e Disciplina, na Assessoria de Gabinete e na Assessoria de Comunicação compõem o currículo da Inspetora.
À frente da Superintendência Regional da Polícia Rodoviária Federal no Paraná entre os anos de 2006 e 2011, ela estabeleceu indicadores e fortaleceu a gestão técnica de tal forma que foi convidada a aplicá-la no restante do país, tornando-se a primeira mulher a dirigir nacionalmente a Polícia Rodoviária Federal.
Sensibilidade, intuição, perspicácia e sutileza acompanham o trabalho desta mulher que também é mãe, e talvez por isso tenha um senso de proteção aguçado. Vaidosa, a Inspetora apresenta-se sempre bem penteada e maquiada, evidenciando que mesmo em um ambiente predominantemente masculino uma mulher pode cultivar sua feminilidade.
Para aquelas que sonham em patrulhar as rodovias e fazer parte da grande família PRF, a história de Maria Alice Nascimento Souza mostra que o caminho do sucesso passa pela coragem de ousar.

Fonte: Where Curitiba

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