Instituto Cultural do Vinho

O Mundo do Vinho está crescendo e se desenvolvendo a passos largos em todas as direções culturais e sócio econômicas. O vinho é arte, cultura, lazer e saúde. É o aconchego de um amor ou uma amizade. É a troca de informações e experiências. É nesse Mundo que o Instituto Cultural do Vinho trabalha as mais variadas histórias e formas de apreciar o Vinho através de palestras, cursos e consultorias, na busca da multiplicação de consumidores e apreciadores desta nobre arte. Arte que deve ser levada de forma simples e despojada para que seja ainda mais difundida e aceita por todos. O Vinho não é apenas status ou glamour, o Vinho é alquimia, conferido pelos deuses e transformado pelo trabalho dos homens.

Não se conhece o vinho sem conhecer a História e Cultura de cada país. Muitos necessitam de uma pequena ajuda para aprender mais, basta dedicação e trabalho.

Objetivos

O Instituto Cultural do Vinho tem por objetivo espalhar a cultura da Uva do Vinho para todos que desejam abrir seus conhecimentos para uma bebida que nos faz pensar e entender a História, a Geografia, a Política, a Economia e a Sociedade de cada país produtor. O Vinho deve ser tratado com alimento e satisfação, de forma simples e democrática, onde existem vinhos bons e ruins, caros e baratos, para todos os bolsos e gostos, precisamos tornar o vinho acessível.

Além dos aspectos culturais, o ICVinho tem por objetivo planejar ações que proporcionem um maior consumo de vinho em todo o território nacional através de treinamentos de equipes comerciais, seleção de vinhos e o cuidado com adegas particulares, tornando acessível toda e qualquer forma de conhecimento.

Vale dos Vinhedos / Serra Gaúcha – Parte 1

Written by  Avelino Zanetti

Com a chegada dos imigrantes italianos em 1875, o Brasil passou a escrever com letras maiúsculas a sua história vitivinícola que até então não passava de raros manuscritos.

 

Com a chegada dos imigrantes italianos em 1875, o Brasil passou a escrever com letras maiúsculas a sua história vitivinícola que até então não passava de raros manuscritos. Uma história repleta de amor, coragem, suor e conquistas de pessoas que tinham enraizado em sua cultura o vinho como “Alimento e Trabalho”. Desde então, a Serra Gaúcha se tornou referência de produção nessa nobre arte, aliada à exuberante beleza natural da região.

O Rio Grande do Sul é responsável por aproximadamente 90% da produção brasileira de vinhos, dividida em pouco mais de 900 vinícolas, ainda em sua maioria, produzindo vinhos a partir de uvas europeias e americanas e num crescente aumento de qualidade dos vinhos finos, principalmente os elaborados na Serra Gaúcha, mais especificamente no Vale dos Vinhedos. Esta região é a única área brasileira com Denominação de Origem (DO). O Vale dos Vinhedos ocupa área de 72 quilômetros quadrados entre as cidades de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul. Está rodeada por maravilhosos parreirais, que já proporcionaram mais de dois mil prêmios em Concursos Internacionais com seus vinhos e espumantes e ficando a pouco mais de 100 quilômetros da capital Porto Alegre.

Existem muitos marcos históricos nessa jornada vínica brasileira, porém além da imigração italiana, precisamos ressaltar os investimentos realizados por algumas empresas de capital estrangeiro que começaram a se estabelecer nessa região em 1951 como por exemplo, a transferência da Georges Albert da França para a cidade de Garibaldi. Posteriormente, na década de 1970 vieram também a Heublein do Brasil, Seagran’s, Baccardi Martini, Domecq e Moët&Chandon. Essas empresas, juntamente com pequenas vinícolas familiares e também as de grande porte e volume, fizeram da Serra Gaúcha destaque nacional e internacional na elaboração de vinhos e espumantes. Essas multinacionais proporcionaram a implantação de técnicas modernas, que vão desde o plantio dos vinhedos até os processos finais de elaboração dos vinho sendo na época, por inúmeras vezes foram taxadas de loucas ou abusivas pelos produtores por tentarem empregar essas técnicas. Felizmente, após alguns anos, essas técnicas se mostraram imprescindíveis para a região e atualmente grande parte dos produtores as utilizam obtendo excelentes resultados.

Não é enaltecer em demasia, mas o clima e o relevo da Serra Gaúcha lembram algumas importantes regiões vitivinícolas da Europa. O clima frio proporciona temperaturas ideais para a planta em sua época de hibernação onde concentra toda sua força e nutrientes para a floração e frutificação, tendo nesse caso, o aumento das temperaturas nas últimas décadas, ajudado para safras de excelente qualidade. O relevo acidentado nos remete a regiões como Piemonte, Vêneto e Alto Adige, na Itália, onde a importância de uma boa exposição solar faz com que as uvas se tornem mais doces e maduras, mantendo a acidez que torna os vinhos refrescantes e gastronômicos. As melhorias nas técnicas de produção aliadas a uma mudança de pensamento e climas favoráveis criaram inúmeras pequenas vinícolas familiares que apostaram nesse trabalho e criaram vinhos de excelente qualidade.

Imaginem vocês entrando em um mundo de conto de fadas, ainda mais para os amantes do Vinho. Pois bem, essa é a sensação de visitar o Vale dos Vinhedos por uma estrada asfaltada e estreita que percorre a região serpenteando entre pequenos vilarejos. Agora imaginem percorrer essa estrada cercada de belos vinhedos e vinícolas, provando vinho e se deliciando com a simples, mas especial gastronomia regional. Bem vindos ao Vale dos Vinhedos.

Algumas surpresas nos aguardam nesse trajeto. Um belo exemplo é a Vinícola Almaúnica, dos irmãos Magda e Marcio Brandelli, antigos sócios da Vinícola Don Laurindo que alçaram voo solo numa proposta artesanal com a produção de apenas 60 mil garrafas/ano em modernas instalações. Outra empresa familiar que desenvolve um trabalho incrível é a Vinícola Angheben, de propriedade da família de mesmo nome capitaneada por seu patriarca Francisco Idalêncio Angheben, professor responsável pela formação de inúmeros enólogos brasileiros e, seu filho Eduardo. Em seu portfólio de produtos, podemos encontrar vinhos de variedades no mínimo curiosas para o Brasil, como as uvas Barbera e Teroldego. Caminhando um pouco mais encontraremos o restaurante Mamma Gema, onde seremos recebidos pelo proprietário, detalhe bastante comum nessa região. O famoso Pessali é ex-jogador de futebol com passagens por importantes clubes do Brasil, ele nos conta as suas aventuras de futebol e sua própria criação de cogumelos porcini. Só de lembrar os pratos servidos no Mamma Gema, já deu vontade de retornar. Após um almoço (demorado), pode-se continuar a aventura “báquica” visitando muitas outras vinícolas como Vallontano, Don Laurindo, Milantino, Torcello, Miolo, Lidio Carraro, Cave de Pedra, Cavalleri, Casa Valduga, Marco Luigi, Don Cândido e outras mais. Vale mais um destaque: a Vinícola Pizzato. Essa pequena vinícola familiar controlada pelo patriarca Plinio e auxiliado por seus filhos Flavia, Jane, Flavio e Ivo (in memoriam). Incrível a dedicação e amor que essa família possui pelo vinho. Alguns excelentes vinhos elaborados com uvas inusitadas, como a Egiodola. Não se preocupem, essa é uma viagem inesquecível e que requer resistência e... bons hotéis. No próprio Vale dos Vinhedos encontramos excelentes opções como a Pousada Borgheto Sant’Anna mais intimista e para casais que querem sossego e romance, Pousada Villa Valduga (dentro do complexo da vinícola), SPA do Vinho Caudalie (em frente a Vinícola Miolo) e Hotel Villa Michelon (onde se localiza o restaurante Mamma Gema). Para quem prefere ficar na área central da cidade, o Dall’Onder Grande Hotel, Dall’OnderVittória Hotel e Hotel LaghettoViverone são boas opções também.

Vale também percorrer os demais pontos turísticos da região como o Passeio de Maria Fumaça que passa por três cidades vizinhas (Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa), visitar a Via del Vino no centro de Bento Gonçalves com suas construções típicas, a Igreja de São Bento que foi construída em forma de “pipa”, assim como o Pórtico de entrada da cidade. Essa é certamente uma excelente viagem, tanto pela receptividade local como pelo vinho e gastronomia oferecida. Corações e almas se aquecerão no frio do inverno com o bom vinho ou se refrescarão no auge do verão com os excelentes espumantes.

Será uma viagem inesquecível, aposte.

 

Por Avelino Zanetti Filho

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